Capitulo II
Foi um breve sonho, e neste ele trabalhava em um restaurante, apenas isso e a próxima noite chegou e ele me chamou novamente no chat. Eu prontamente lhe contei o que havia sonhado esperando que ele pudesse me dizer algo sobre o seu real trabalho, queria saber se aquele pequeno sonho tinha algum ponto de verdade, mas ele não me confirmou nada, apenas mandou uma mensagem: Oh really? E com o decorrer da nossa conversa percebi que ele gostou do fato de eu ter sonhado com ele, talvez tivesse se dado conta que a partir de então, ele conseguiu penetrar os meus pensamentos.
Certa noite ele me perguntou a minha idade e eu respondi, e também perguntei a dele, ele era 4 anos mais novo que eu, e eu imaginando que estaria conversando com um homem bem mais velho, me enganei! A curiosidade era bastante não apenas sobre ele mas sobre tudo o que envolvia aquele planeta chamado Índia, em nenhum momento me passou a ideia de que desta situação poderia surgir um relacionamento, e nem que ele poderia estar procurando isso, eu achava isso inviável e absurdo, nunca acreditei neste tipo de coisa e nem achava que existissem relacionamentos desse tipo que dessem certo. Mas eu estava feliz por ter um amigo do outro lado do mundo.
As noites passavam e eu agora sempre o esperava, e quando ele me chamava eu já logo avisava que ia dormir, nossa diferença de horário é de 8 hs 30 min, e nossa conversa se estendia tanto que eu acabava por não dormir, meus filhos então começaram a se incomodar, -Mãe ainda acordada? Com quem esta falando? Ah filhos... Com um amigo lá dá Índia! –Nossa mãe você é doida, falando com gente estranha, é perigoso! Sim era isso que eu tinha que ouvir fazer o quê não é? Fui eu mesma que os ensinei a desconfiar de tudo e de todos. Logo contei também para minha irmã sobre esse amigo, que por sua vez também disse: Cuidado! Vai que é um terrorista, procurando alvos de ataque, ou um perseguidor de cristãos, nesses países tem dessas coisas! Então encasquetei com uma questão: Existem Cristãos na Índia? E se existe, como eles vivem, são perseguidos, vivem livres, como funciona? A partir destas questões surgiram minhas primeiras pesquisas sobre a Índia, não quis saber de costumes de cultura de nada, apenas se existiam cristãos, então descobri que apenas 2% da população são cristãs, para mim que não imaginava ter nenhum cristão, era bastante, mas em proporção real é muito pouco, será que minha irmã pode ter razão?
Então procurei saber como funcionava o cristianismo lá, achei uns vídeos de testemunhos e fiquei encantada, como mesmo após milênios as obras da bíblia se repetem, pois na Índia em aldeias e vilarejos muitas coisas continuam como na antiguidade, assim eles dependendo apenas da misericórdia de Deus, e foi o que eu percebi pelos testemunhos que eu ouvi, mas também conclui que eles continuam sendo perseguidos, talvez não nas grandes cidades, mas em aldeias sim! E agora, como perguntar algo tão delicado para o indiano? Um país tão religioso, dependendo da forma que eu perguntar sobre isso, posso até ofendê-lo! Como me adentrar nesta curiosidade sem causar um choque, será que ele pode ser um desses 2% de Cristãos? A possibilidade é mínima, então decidi por medo, que não tocaria no assunto religião. Mas por algum motivo, nossos pensamentos caminhavam juntos, enquanto eu relutava para não fazer essa pergunta crucial, eis que ele me manda uma mensagem perguntando: Você é Cristã? Que alivio, ele me perguntou, então sou livre em responder. –Sim! Por quê? Alguma coisa contra? E sua resposta foi um SIM! E eu pensei: Meu Deus! Ele é contra os cristãos, minha irmã tinha razão, o que esse homem quer comigo? Comecei a tremer inteira, e me coloquei a escrever um texto falando sobre Cristo. “Cristo nunca fez mal a ninguém, não perseguiu ninguém, apenas foi perseguido, foi torturado e levado a morte sendo inocente, ensinou apenas o amor ao próximo, amou a todos independente de distancia e tempo, e mesmo assim perseguem seus fieis, muitos erram usando o nome de Cristo, mas estes são falsos Cristãos pois Ele não ensinou isso, não ensinou o mal e não obrigou ninguém a segui-lo, eu sou Cristã e foi isso que aprendi, a amar, assim como ele amou a todos, carrego em mim a capacidade de amar independente de tempo, distancia.” Traduzi tudo isso e mais um pouco que não me recordo e mandei para ele! E a resposta foi uma carinha gigante feliz, e me perguntou: Você pode realmente amar alguém tão longe? Respondi que sim. Ele: Até mesmo eu? E eu confirmei o SIM! Eu não tinha noção do que eu tinha acabado de responder, sim eu o amava, com um amor Cristão e fraternal, mas será que ele iria entender isso?
Um dos vídeos de testemunho que achei na época, a legenda esta ruim, mas acho que dá para entender.
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